Lan house, uma diversão preocupante Por: Suzana Fonseca
São Vicente, terça-feira, 14 horas. Danilo, de 10 anos, deveria estar na escola, que frequenta no período da tarde. Mas, faltou à aula porque estava com diarréia. A desculpa poderia ser aceita, não estivesse ele jogando em uma lan house. Questionado, o garoto justificou-se dizendo que podia ficar jogando porque ali tinha banheiro. E na escola, não tem banheiro também? ‘‘É, mas não tem papel higiênico’’, respondeu o menino.
O que pode parecer engraçado é, na realidade, nuito sério e mostra um comportamento que vem sendo adotado com frequência por crianças e jovens das mais variadas classes sociais. Cada vez mais eles deixam outras atividades de lado, sejam brincadeiras ao ar livre ou mesmo os estudos, para ficar horas e horas em frente a uma tela de computador, jogando ou conversando em salas de bate-papo.
Randal, também de 10 anos, é frequentador assíduo desses estabelecimentos. Os pais sabem e pagam para ele ficar jogando, todos os dias em uma lan house. Ele também estuda e faz curso de natação, mas fica, todas terças e quintas, das 14 às 19 horas, na frente do computador.
Nos outros dias, Randal fica pouco tempo, não mais que meia hora. ‘‘Não jogo muito, fico conversando com meus amigos. Meu pai não me deixa jogar mais que três horas’’.
Virtual
A questão vem sendo tema de debates e discussões entre psicólogos, pais e educadores. Para a psicóloga do Clube das Mães, de Santos, Maria Stella Cabaz Tavares, o assunto envolve dois aspectos: a necessidade de uma legislação municipal para disciplinar o acesso de menores às casas de jogos virtuais e o fracasso da ‘‘legislação familiar’’.
‘‘Os pais são permissivos, querem ser amigos dos filhos, acham que têm que ser legais e acabam permitindo (excessos) ou, às vezes, não sabem que os filhos frequentam lan houses’’, analisa Maria Stella.
A psicóloga diz que adolescentes e pré-adolescentes não têm limites e que, por isso, cabe aos pais criar regras: ‘‘Mesmo que reclamem, chorem, a família tem que dar hora e limite. Se eles infringirem as normas, têm que ter punição’’.
Na opinião da psicóloga, o resultado de tantas horas na frente do computador é o desenvolvimento de pessoas virtuais, distantes de atuações externas. ‘‘Eles têm medo de andar de noite na rua, mas ficam até de madrugada em uma lan house’’.
Os guerreiros virtuais estão cada vez mais preguiçosos, indolentes e querendo, sempre, tudo pronto. ‘‘É a geração fast food’’, resume a psicóloga.